Eu queria muito chegar na casa dela. Ela tinha falado tantas coisas, me atiçado tanto que esperava ansiosamente a hora de ver aquele corpo rosado, todo nú para mim, aquele rosto arredondado e macio me encarando, me instigando... Me desafiando!
Quando abri a porta (eu ainda tinha uma cópia da chave) a casa estava perfumada. Alguma essência nova, talvez maçã verde, ou melancia... Nunca fui boa para distinguir aromas. Mas era muito intensa, estava mexendo com todos os meus sentidos; veio à boca a vontade de me lambusar daquele cheiro, minha pele parecia tocada por cada nota daquele perfume. Eu via uma mistura de cores ao imaginar ela dizendo coisas safadas ao meu ouvido quando estivessemos na cama... ! E para completar meu deleite total, eu fui caminhando naquele apartamento enorme para encontrá-la, e de súbito ela abriu a porta do banheiro, tinha saído do banho naquela hora, estava enrolada em uma toalha super grossa e branca, maior que ela. O cabelo enrolava-se em outra toalha rosa pink, e ela me olhava como que me convidando a tirar aquilo tudo que estava em excesso entre nós.Peitos, bocas e coxas... Tudo estava se misturando, como se fosse um corpo só. E naquele êxtase, me dei conta de tudo que sentia: o suor, a língua, a pele... Mas um estranhamento também...
Um jeito de pegar no meu cabelo que até então nunca tinha acontecido, o beijo, o toque... Algo estava diferente, e ao mesmo tempo que me enfeitiçava, me despertava ódio... Ela só podia ter ficado com alguém. Maldita! Tudo aquilo que eu amava nela, e só nela... Tudo que já estava acostumada nela, tinha se perdido.
Levantei rápido, me vesti, esbravejando o que há de pior. Ela chorava copiosamente, fingindo não entender nada! Sai batendo a porta... E como meu coração batia nessa hora! A avenida não tinha barulho algum para mim. Só meu coração batia... A rua havia morrido... Só eu vivia e sentia a dor de não ser a única na vida dela.
Não estava entendendo absolutamente nada que se passava comigo, tinha sentido que tinha feito uma grande besteira, afinal, agora ela queria ficar comigo. Mas aquele beijo... Parecia outra!
Sem perceber, dei meia volta em direção a casa dela. Queria gritar mais com ela, não tinha sido suficiente!
Quando abri a porta de novo, ela estava sentada no chão e ainda chorava... Meu grito se calou diante daquela figura linda, e só conseguia pensar em tê-la nos braços, corri para os braços dela, e senti o mesmo beijo ... Seja igual a antes ou não, era ela!
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