domingo, 29 de maio de 2011

Par

Estar vivo? Isso basta? Claro que não! Seus lábios me mostram que eu quero mais é ser viva, para viver vãos momentos de prazer, de dor, de contentamento, de alegria, de dúvida, de plenitude... Para que mais?
Para que ostentar o orgulho de ter tanto? Quero mais seu querer, sua pele, teu sorriso bobo.
É como uma lâmina a perpassar meu corpo, totalmente a flor da pele. Mas sem dor, sem medo! Quero sempre te sentir... Tão belo, tão bom, tão ímpar! Para completar um par.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Era Ela!

Eu queria muito chegar na casa dela. Ela tinha falado tantas coisas, me atiçado tanto que esperava ansiosamente a hora de ver aquele corpo rosado, todo nú para mim, aquele rosto arredondado e macio me encarando, me instigando... Me desafiando!
Quando abri a porta (eu ainda tinha uma cópia da chave) a casa estava perfumada. Alguma essência nova, talvez maçã verde, ou melancia... Nunca fui boa para distinguir aromas. Mas era muito intensa, estava mexendo com todos os meus sentidos; veio à boca a vontade de me lambusar daquele cheiro, minha pele parecia tocada por cada nota daquele perfume. Eu via uma mistura de cores ao imaginar ela dizendo coisas safadas ao meu ouvido quando estivessemos na cama... ! E para completar meu deleite total, eu fui caminhando naquele apartamento enorme para encontrá-la, e de súbito ela abriu a porta do banheiro, tinha saído do banho naquela hora, estava enrolada em uma toalha super grossa e branca, maior que ela. O cabelo enrolava-se em outra toalha rosa pink, e ela me olhava como que me convidando a tirar aquilo tudo que estava em excesso entre nós.
Peitos, bocas e coxas... Tudo estava se misturando, como se fosse um corpo só. E naquele êxtase, me dei conta de tudo que sentia: o suor, a língua, a pele... Mas um estranhamento também...
Um jeito de pegar no meu cabelo que até então nunca tinha acontecido, o beijo, o toque... Algo estava diferente, e ao mesmo tempo que me enfeitiçava, me despertava ódio... Ela só podia ter ficado com alguém. Maldita! Tudo aquilo que eu amava nela, e só nela... Tudo que já estava acostumada nela, tinha se perdido.
Levantei rápido, me vesti, esbravejando o que há de pior. Ela chorava copiosamente, fingindo não entender nada! Sai batendo a porta... E como meu coração batia nessa hora! A avenida não tinha barulho algum para mim. Só meu coração batia... A rua havia morrido... Só eu vivia e sentia a dor de não ser a única na vida dela.
Não estava entendendo absolutamente nada que se passava comigo, tinha sentido que tinha feito uma grande besteira, afinal, agora ela queria ficar comigo. Mas aquele beijo... Parecia outra!
Sem perceber, dei meia volta em direção a casa dela. Queria gritar mais com ela, não tinha sido suficiente!
Quando abri a porta de novo, ela estava sentada no chão e ainda chorava... Meu grito se calou diante daquela figura linda, e só conseguia pensar em tê-la nos braços, corri para os braços dela, e senti o mesmo beijo ... Seja igual a antes ou não, era ela!





sexta-feira, 29 de abril de 2011

Decisão Eterna.

Estou andando pela rua, meus pés tocam o chão devagar, como que pisando em brumas. Me sinto em meio a um daqueles filmes que o caminhar é lento e enquanto isso os cabelos esvoaçam ao sabor do vento, o olhar é fixo e magnetizante... Me sinto essa figura aí agora...
Sinto que as entranhas da terra estão me envolvendo em vapores novos e coloridos. E eu piso firme, rasgando minhas bolhas de medo...
Uma conversa no facebook, uma indicação de um novo caminho que poderia seguir, endereço, site ... E passos rápidos, por baixo de um viaduto, por entre grafites, me levaram para aquele paraíso com cheirinho de mofo ontem... O TEATRO!
Estou mesmo apaixonada. Estive pensando essa semana como seria possível? Ser tão destrambelhada, tão bagunçadinha e tão amante de certa diciplina que nos faz ter um comprometimento com a seriedade do nosso próprio trabalho e a valorização do mesmo...
-Quero aprender, atuar, e desde pequena quis... Já trabalhei em várias outras coisas, mas nada supriu...
Foi isso que respondi quando questionada: Por que teatro?
E agora caminho a passos rápidos e firmes... Em direção a um futuro que talvez só eu nunca tivera a coragem de enxergar.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Por que???

Ela tinha aquela mania de ser rebelde... revolucionária... Isso acabava comigo! Eu sempre fui um cara muito sensível, sentimental mesmo... Não sei ser uma pessoa rude. Mas ela dizia o tempo todo que eu era machista.
Tentava entender o que a levava a pensar que eu era um machista. Eu, que sempre enfeitava a casa com flores para ela, pegava no trabalho, super disposto a tudo... Eu, Machista? Por não compreender seus caprichos? Por não querer sua ausencia? Sei lá...
Mesmo me sentindo um acabado, eu não dava o braço a torcer, fingia encarar na esportiva. Mas não estava tudo bem! Estava me sentindo um injustiçado!
Ela queria mesmo que eu entendesse seus dilemas, seus sentimentos confusos... Hora queria, hora não... A minha cabeça dava um nó! Nunca estava feliz com nada... Ela era facinada, alucinada pelo Chaplin. Eu dei um quadro que tinha o Chaplin e o menino pra ela. Ela com todo carinho dissimulado, disse: " Ai, eu ameeeii, ahhh, mas ainda quero o do discurso do grande ditador.... Eu sorri um riso amargo, um riso raivoso; " Por que é que essa desgraçada nunca está feliz com nada plenamente?"
Hoje olho para estas paredes e ainda tento entender na ausência do seu cheiro, o por quê ela foi embora assim, hora dizendo que me amava, hora dizendo que não.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sensações do amigo Maicon...

Meu amigo Maicon, em sua inspiração escreveu:

" Hoje sou mutante, amanhã serei mutante mudado, mas ontem nunca cheguei a ser. E assim, resumisse: hoje alguém, amanhã alguém mudado e ontem ninguém."

Valeu amigo!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A falta de inspiração.

Queria começar imponente, como os grandes escritores que constroem seus textos fluidamente, como se não precisassem pensar sobre nada, como se tivessem nascido gênios por natureza. Prontos... Tenho dentro da alma uma vontade fudida de deixar um ser estranho a mim, sair lá do fundo, e rasgando minha pele, se desvenciliar dessa carne trêmula, mas a vontade não se realiza, ela só grita por dentro do oco do meu ser, grita aos ares que preciso me achar. Me perdi de mim mesma.
Aconteceu hoje a tarde, eu acreditava que sabia bem o que queria e que era a pessoa mais perfeita do mundo , eu estava muito segura e queria muito aquele papel. Eu precisava daquele papel, era minha vida. Todos os meus projetos estavam naquele pedacinho de papel escrito: Electra. Tinham sido semanas de seleção, ensaios, testes e por aí vai...
O diretor tinha simpatizado comigo, poxa, era visível que era tudo perfeito, que o papel era meu e que aquela peça era um divisor de águas na minha vida. Teríamos a presença de críticos de arte, diretores de outras companhias, e seria nesse primeiro momento que seria decidido por eles se essa peça seria ou não futuramente um filme.
Meu pai não queria essa vida doida de artista para mim, já fazia mais de oito anos que eu era atriz, mas ele nunca aceitou isso. Nunca. Ele só não conseguia mais me impedir, como antigamente, mas gostar, sentir orgulho e contar para os amigos e tal? Não, isso não. Pelo contrário, chegava a ter até raiva. Afinal das contasl, eu sempre fui muito parecida com ele, e desde que me aventurei na arte de atuar, encantar e me realizar, abandonei também esse certo "parecer" que me era extremamente prejudicial. Não queria parecer alguém sem personalidade, sem vontade ... Sem vida!
Naquela tarde, eu esperava uma ligação naquele telefone fixo, como estava sem telefone em casa e o celular descarregado, ele ia ligar na casa do meu pai. Provavelmente para dizer: Olha, vem amanhã as 8h porque o personagem é seu e vamos fazer um ensaio inalgural extra. Não quero atrasos ouviu?
Já tinha dado 16h e nada do diretor me ligar... Já estava com fome, aproveitei para comprar pão. Quando voltei perguntei de novo: E aí? Alguém ligou? Meu pai foi categórico: Não.
Fiquei triste .... triste que ... nossa... indizível!
No dia seguinte fui para o ensaio, pensando que a personagem que eu tanto queria não me merecia na visão do diretor... Quando cheguei, o diretor parecia um leão faminto, raivoso muito mais que puto: putíssimo! E eu sem nem entender o que se passava... Até que em meio a gritos, fúria e ódio ele berrou: Como é que você é capaz de dizer para seu pai que não estava mais interessada na personagem, e que estava pensando seriamente em sair do grupo.
Punhais entraram na minha garganta, minhas cordas vocais se congelaram. Meu pai veio em minha mente, como a personificação do tinhoso, do demo, do cão!!! Tentei me explicar, mas ele não quis nem me ouvir. Disse somente que eu não precisava voltar, que eu podia muito bem ir para a puta que o pariu, que para ele isso não ia fazer a menor diferença.
Me senti um cachorro em terminal de onibus, não. Pior... Me senti um papel higiênico usado... Não... pior... me senti o chorume do lixo... Só pude ligar para o Jonas e pedir para ele me pegar em casa dali meia hora.
Quando cheguei em casa, meu pai veio me receber. Passei por ele como quem passa por um pilar daqueles que segura pátio de colégio.
Estou aqui pegando minhas últimas roupas, os CD´s... Não quero esquecer o da Cássia Eller; é ele que vai me ajudar a chorar hoje a noite na casa do Jonas. Ai como me doem essas paredes, esse cantinho era o único em que eu podia permanecer sendo eu, sem ninguém para tentar abafar meus gostos, pensamentos e sensações... Não sei o que vai ser, eu só sei que essa é a buzina do carro do Jonas, e é para a casa dele que vou levar minhas angustias e talves lá que elas serão curadas... Pelo menos por hoje.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Frase da Minha mãe hoje:

-Mãe, o Dº Marcelo é aquele que tem cabelo enroladinho? Tipo cabelo de anjo?
- Não, filha, o DrºMarcelo é aquele que tem cabelo compridinho, tipo poeta sabe?!
Esse foi meu momento poético de um dia sonado!

terça-feira, 5 de abril de 2011

Despudorada?

Estava relembrando cada pedacinho do seu corpo por debaixo de toda aquela roupa, seus pelos, a textura de sua pele, o cheiro de sua carne quente e macia... E se estava sentindo isso com um misto de carinho e tesão, como poderia ser despudor de minha parte? Era um conflito muito grande... Por acaso o zelador, o jornaleiro, a copeira, o mendigo, a Dilma, enfim... qualquer ser humano também não é demasiadamente humano para sentir isso com a mesma intensidade?
Para falar a verdade não tive tempo de pensar muito sobre isso na hora, pensei nisso depois. Eu só consegui sentir a sede dele por mim. Eu não esperava que ele fosse aparecer, achei que aquele dia ele tinha coisas demais para fazer, até porque ele estava em véspera de apresentação, e os ensaios estavam frenéticos. Eu mal sabia, mas aquele dia, o diretor havia dispensado todo mundo do grupo, é que muitos não chegaram por conta do alagamento que teve no Anhangabaú e, intolerante como sempre, o diretor cancelou o ensaio.
Ele me trouxe doces, muitos!!! Comprou: jujubas, (ele sabe que amo) amêndoas confeitadas, torrone e doce de leite. Ele me derreteu com esse gesto simples... Queria senti-lo. Cada pedaço, cada respiração, enfim... Ele em mim, para mim, dentro de mim...
Não tinha como evitar o beijo, e nossos beijos sempre foram assim, molhados, tinha pego um pouco de jujuba na mão, perdi as forças, abri a mão e todas se espalharam pelo chão. Me sentia uma gelatina ao sol, minhas mãos buscavam seu rosto, seu peito, se enfiavam por dentro de sua calça, que não demorou muito a sumir desse cenário.
Estávamos nos arriscando, pois meu irmão estava dormindo no quarto, eram 16h, e ele podia acordar a qualquer momento... Mas aquele sofá... Não tinha como resistir. Naquele momento a sala era o palco do nosso tesão, nossas cenas eram íntimas, sempre sabíamos as deixas, sem maquear nossas vontades e não usávamos máscaras, estávamos ali, despidos de qualquer mal.
Os sorrisos eram bobos e quase invertemos as camisetas, se bem que ele não caberia na minha; havia uma sensação de plenitude, não me sentia despudorada, sabia que tínhamos corrido um risco, até porque, minha mãe chegou dali a dez minutos, quando já estávamos vestidos, e quando ela abriu a porta, vi que não estava trancada.
Me recuso a me recriminar. Estava amando, não destrui nenhum sonho infantil, não menosprezei ideias e pessoas, não recriminei iniciativas artísticas e nem censurei ideologias inspiradas em experiências de vida, acredito que isso seria uma das piores formas de despudoramento!!! Após essa minha viagem nas ideias, meu irmão acordou com a cara toda escangalhada.
Ficamos, então, nós quatro na cozinha comendo amêndoas confeitadas, conversando sobre o tempo, José Alencar, o criminoso maldito de Realengo, futebol, os desastres naturais e ouvindo Seu Jorge. E eu pensava: Despudorada eu? Nem ferrando!!!

terça-feira, 29 de março de 2011

Saudades...

Todo mundo fala dessa saudade dos infernos... Mas de fato quem sabe o que é saudade?! Sim, talvez seja o que estou sentindo agora. Saudade.... É como se o tempo tivesse parado. Ele sempre me olhou daquele jeito, como que vendo minha alma, sinto saudade dessas pequenas invasões. Sinto saudade de nós dois deitadinhos, a pele podia dizer tudo que os olhos tinham vergonha de mostrar, mas mesmo assim, mostravam. E que as bocas se recusavam a dizer.... Sinto saudade daquele sorriso bobo, que me fazia vê-lo como criança grande chamando para comer doce. Saudade da casa dele bagunçada, era a desordem de quem não se preocupa com os moldes, do que é certo ou não... É a desordem de quem se prende tanto a novas ideias, escritos e descobertas, que fica sem tempo para poder se preocupar se as meias estão fora do lugar, ou se a louça está suja de mais ou não. Gosto de quando a gente sai sem ter hora para chegar e tudo vai acontecendo magicamente, é como se ele adivinhasse meus pensamentos... Sinto saudades! Pura, nua e intensa... Saudades!

sábado, 26 de março de 2011

O pássaro bandido?

Antes de eu ir para a janela estava cá dentro de minhas viagens..... Estava pensando se por acaso era errado pensar que temos o direito de nos jogarmos de cabeça no mar da vida, aproveitar as oportunidades, os contatos, os segundos, os riscos e os sentimentos que as pessoas despertam no nosso coração... Afinal, a sociedade te impõe um regra de conduta; com R anos você sai da escola, com O anos você começa a faculdade, com B anos você se forma, com O anos você casa e com S anos você começa a ter filhos e aí sua vida parou e você morreu em vida! Não concordo com nada disso, pois acho que isso seria a programação de um robô, e não me sinto um robô.
E um acontecimento me fez reforçar os pensamentos....Tudo começou com um piu... Eu ouvi um piadinho diferente, de algum passarinho bem exótico, dos que não estou acostumada a ouvir e estava muito perto também... Estranhei! Fui até a janela e vi que se tratavam de dois passarinhos bandidos (eles usavam máscaras, e juro eu não usei drogas), e um inclusive quando me viu saiu voando. O outro não. Ele me encarou, me mediu.... Ficou tentando me dizer algo que eu não entendi. E aquelas cores não podiam me lembrar outra coisas se não a máscara de um ladrão. Mas aquele passarinho lindo poderia ter cometido algum crime? Justo ele? Um ser leve, alegre e doce? O único crime que poderia ter cometido é de não ter os pudores que temos, então enquanto penso se devo deixar meu eu mais íntimo guiar minhas ações, ou até que ponto a sociedade robótica me influencia e de qualquer forma ficar remoendo, remexendo e revirando meus medos, o lindo pássaro bandido mergulhou no ar, abriu suas lindas asas, faz um voo rasante fodástico e com isso respondeu vários dos meus questionamentos!!!!!

quarta-feira, 23 de março de 2011

A cobrança interior

Certos dias a gente fica assim.... Se cobrando por tudo... Se cobrando até por não ter a merda da paciência que todo mundo fala que devemos ter.
Ela está em um momento de profunda fragilidade. Em uma fase de muita carência. E eu, infelizmente me cobro até demais por querer fazer muito mais do que de fato posso! Hoje ainda não a vi, estou esperando-a com muito carinho. Até porque, essa mãe que muitas vezes me pegou no colo, me deu remédinho com açucar para minimizar o gosto amargo na minha boca, está sentindo o gosto do fel da vida. E a minha impotência é tamanha que não dá para adoçar de vez a etapa mais árdua até o presente momento de sua vida.
Seus medos, angústias e incertezas fazem seus pés e pernas doerem bastante, afinal, toda sua carência muitas vezes dá lugar ao nervosismo e ao inconformismo com a situação, tudo toma proporções gigantescas e se refletem em seu corpo. Todas essas coisas me arrebentam a alma.
O táxi para uma consulta, o banho refrescante o prazer de cozinhar, o xixizinho noturno... Tudo esta difícil. Meu pai e eu somos suas mãos ágeis. Óbviamente, ela está se sentindo metade de si mesma por não ter a autonomia para estas coisas triviais.
Fico tentando imaginar seu semblante diante do médico na consulta de hoje, conforme a minha conversa com meu pai que acompanha tudo ao lado dela: nenhuma grande novidade. Nem planos para biopcia, nem notícias da necessidade de fazer outras sessões de quimioterapia ou de radioterapia..... Só uma próxima consulta para quarta e a voz dela no telefone dizendo: "Tá bom filha depois a gente conversa tá"!

terça-feira, 22 de março de 2011

Eu já me conhecia, mas não tão bem assim...

Eu estava de saco cheio de tanto controle! De tanta pegação no pé! Queria me desamarrar de tudo aquilo que limitava; os movimentos de minhas asas, os gritos de minha alma, o meu ser de se manifestar como unidade no universo. Durante todo esse tempo, sinto que não vivi, é como se eu tivesse tirado férias de mim mesma.
Quantas vezes tive sonhos do cotidiano?! Daqueles que você sonha para aquele momento?! E quando falava destes sonhos, eles não eram se quer ouvidos, eram apenas escutados pelo Guilherme! E assim foram anos e anos de abdicação de mim mesma...
Eu sabia que toda aquela situação ia hora ou outra me fazer explodir, como uma panela de pressão que quando estoura, a tampa vai parar sabe-se lá onde... Sabia que isso poderia acontecer com minha cabeça, eu poderia perde-la a qualquer momento.
Foi na festa da Dany que a tampa da minha panela foi pelos ares! Um dia antes, eu só havia pedido uma coisa: Não vem atras de mim, me deixa ficar pelo menos um pouco com os meus amigos, você fica com os seus e eu não te encho o saco, então vamos tentar respeitar o espaço um do outro?!
Ele concordou a contra gosto, e me senti mais tranquila, mais gente, mais única no universo, pensei que ia voltar a me sintir um ser autonomo, me imaginei na festa; dançando muito, conversando, dando risadas bobas e tirando muitas fotos ... Mas não foi bem isso que aconteceu.Ele foi comigo. De ultima hora, ele apareceu. Com flores, perfumado, com aquele brilho lindo nos olhos. E fomos juntos! Já era muito acostumada a aceitar tudo não conseguir ter forças de impedi-lo, até porque ele jogou baixo, ele sabe que amo flores e soube fazer o olhar que amo. O caminho inteiro eu me remoia de raiva, de pavor, de angustia, sei lá... A Dany só tinha visto ele umas duas vezes, eu me achava no direito de manter essa distância entre os dois, queria cada um em uma esfera do meu mundo particular, para que eu pudesse continuar tendo meus amigos e ele os dele, e não como sempre foi: Os nossos amigos.
Ao chegar lá sabia que só havia uma solução: Aproveitar a festa da melhor forma possivel. Por mim, pela Dany e por já saber que a tendencia era tudo acabar mal . Entramos. O ambiente estava lindo, ela enfeitou a sala com flores, era uma sala enorme, estava tudo com cara de primavera. O Gui começou a beber... Eu odeio quando ele bebe! Ele se soltou tanto, mas tanto, que até dançou! Coisa que ele não faz nunca. Aquilo começou a me sufocar, ele estava sendo um peso para mim, eu queria ficar com meus amigos e isso ele definitivamente não entendia! Não aguentava mais ficar ali do lado dele, resolvi ir para varanda enquanto ele ficava abraçado aos drinks. A varanda era grande, queria uma casa assim também. Enquanto olhava para as estrelas, chorava! Mas como a merda tinha que acontecer para mudar minha historia, o Guto se aproximou de mim, me viu chorando e me deu um abraço. Aqueles abraços de colo, de proteção, do mais profundo carinho, sabia que não tinha tesão ali. Poderia até ter num outro contexto, mas ali, naquele momento sabiamos que não. Senti um grito. Era meu nome sendo grunhido aos quatro ventos, quase chegando àquelas estrelas, pela voz tropega do Gui. Ele jurava que ia acabar com o Guto, dizia que eu era a "mina" dele, que "nenhum outro macho tinha acesso não"!!! Aquilo entrou no meu ser como cacos de vidro, rasgando tudo por dentro. E quando menos percebi, fui tomada por aquele sentimento explosivo, eu tremia. Falei tanto que nem sei o que saiu da minha boca. A única coisa que lembro claramente; os convidados vindo para a varanda, suspendendo a respiração por nossa separação e uma aliança rolando pelo chão. Fui para a casa com o Guto, e não quis mais pensar sobre tudo que havia acontecido aquela noite!

domingo, 20 de março de 2011

A gente não é obrigado a saber!

As pessoas acham que a gente é obrigado a saber o que vai fazer na faculdade, porque é óbvio... você vai fazer uma faculdade quando completar 18 anos. E se você fizer com 20 anos, já vai ser velho.... Por ter raiva disso... Resolvi mandar isso tudo à merda!

Estou com 26 anos, fiz técnico em enfermagem aos 18 anos, porque achava que ia fazer Biomedicina na Facul, mas como eu não tinha dinheiro, fiz o técnico, que era o que dava pra fazer na área da saúde, e se gostasse podia até fazer enfermagem mesmo.

O que me afastou completamente de atuar após terminar o curso, foi ver o tratamento desumano que havia entre os colegas e para com os pacientes. A vida deles ficava em 3º plano: primeiro as burocracias, depois os interesses particulares e por último, e bem menos importantes, os pacientes. Não suportei aquilo. Hoje até tenho uma visão um pouquinho diferente, até porque os enfermeiros que cuidaram mês passado da minha mãe são magníficos, mas voltando aos meus 18 anos... pensei em fazer a danada da faculdade, mas queria fazer pública, e o que fazer? Bom, como meu namorado estava fazendo letras e eu nunca tinha visto alguém falar do que fazia com tanto brilho nos olhos, só podia ser isso que me aguardava: Letras. Fiz cursinho e tentei ... Óbvio que não deu né, até porque não tinha isso introjetado em mim, então levei o cursinho nas cochas, mesmo sendo eu quem pagava. Comecei a ter a necessidade inebriante de ter minhas coisas, nutri a expectativa de ter um carro, de ser uma mulher que veste social e anda pela Paulista com óculos e perfume importados. Comecei a querer ter um serviço assim, que me desse todo esse status fodástico... Não é que eu achei mesmo!? Nesse momento esqueci completamente que quando era pequena, eu sempre fazia questão de cantar mais alto no coral do colégio pra professora me escolher, esqueci também que gostava tanto de interpretar no teatro, que no ensino médio cheguei a montar uma peça que ganhou troféu em 1º lugar num pequeno festival de que participamos...

O que queria era ganhar dinheiro. A faculdade podia ficar para depois e as minhas tendências da infância também podiam... E lá fui eu assumir meu cargo de supervisora de cobrança numa empresa de Call Center, claro que pra chegar a esse cargo fiquei um ano com minha bundinha sentada naquela operação ouvindo xingamentos e assédios de várias espécies por telefone!

E claro, como eu queria ser mais promovida; resolvi fazer uma faculdade; estava na hora já... Tá... Mas o que eu ia fazer? Administração? Não... era demais pra minha cabeça também... Direito? Neeeem!!!!! Minha amiga estava fazendo Pedagogia.... estava aí minha resposta do que fazer... Pedagogia. Até por que todo mundo dizia: Ai Lúcia, você é tão meiguinha, deve levar o maior jeito com criança... Pois é. Não levo tanto jeito assim não, gosto muito, mas não levo jeito, não... Fui criada com muitos adultos pra levar tanto jeito assim! E quando o professor da faculdade dizia que na próxima aula ia ensinar a tirar os reloginhos (eram mordidas que os coleguinhas davam uns nos outros) dos braços das crianças, aí que eu percebia mesmo que não era aquilo que eu queria pra minha vida. Continuei minha caminhada rumo ao dinheiro, e não é que ele estava vindo ao meu encontro? Estava muito gostoso. Aí pensei, tá a empresa pode me ajudar a fazer uma faculdade na área de Call Center... Claro que vou fazer, mas a essa altura, todo meu stresse nessa área já tinha tomado proporções inimagináveis, foi vindo tudo à tona, desde a época na operação, ouvindo os xingamentos, passando ao início da supervisão, na qual fui considerada muito meiguinha, sem pulso e sem firmeza para a função. Mas continuei de equipe em equipe por mais uns quatro anos, mesmo sendo a dita “meiguinha”.

Pedi pra ser mandada embora e fui! Fui parar depois dentro de uma academia sendo consultora de vendas de aulas de Pilates. Muito gostoso, foi legal trabalhar lá.... Então, me deu uma puta vontade de fazer o que? Educação Física! Fui para o cursinho de novo, foco: Educação Física.... Pois é, não vinha de dentro... Também não deu certo, certo, então pode ser que estivesse no caminho errado. Quando eu tinha sete anos, queria ser veterinária, pois eu gosto de bichos, simples, tenho vários amigos que fazem Biologia e trabalham com tudo, bichos, células, etc... Vou fazer Biologia! A essa altura, já tinha pensado em fazer Engenharia ambiental e psicologia também.

Fui trabalhar com uma amiga minha, também num Estudio de Pilates, e prestei pra Biologia... E também não deu!

Comecei a me perceber, a ouvir o que as pessoas que me amam tinham a dizer sobre mim, e num belo dia em que eu já estava meio propensa a fazer então algo que era meu de verdade, ouvi: Vai fazer teatro.... É a única coisa que quando você fala, seu olhos brilham... Isso foi um divisor de águas pra mim. Fácil não vai ser, mas agora, que estou fazendo cursinho de novo, e que vou prestar para teatro aos 26 anos, estou tendo cada vez mais sinais, são diretores, atores, alunos de teatro, ex – alunos, projetos com teatro, tudo vai caindo na minha mão, como se o Universo tivesse dito: “ Menina, se toca e deixa de medo, vai fazer o que você gosta vai”.

sábado, 19 de março de 2011

As ideias estarão aqui.

Sinto a necessidade de pôr pra fora coisas que dançam dentro da minha alma que gritam entre as paredes do meu santuário e que nem sabem se são alegres ou tristes...
Mas são sentimentos aprisionados, que perpassam entre a raiva e o amor, entre a indignação e a calmaria...
Hoje o dia está nebuloso, obscuro. Assim é meu ser, que entre o obscuro e o nebuloso, descobre flores que perfumam a podridão. Por agora não quero entrar nos detalhes... Mas inesperadamente acredito que terei umas ideias que sempre vão e vêm na minha cabeça nos horários mais inoportunos... E será este blog o destino dessas loucas ideias... Bem vindo!