domingo, 29 de maio de 2011

Par

Estar vivo? Isso basta? Claro que não! Seus lábios me mostram que eu quero mais é ser viva, para viver vãos momentos de prazer, de dor, de contentamento, de alegria, de dúvida, de plenitude... Para que mais?
Para que ostentar o orgulho de ter tanto? Quero mais seu querer, sua pele, teu sorriso bobo.
É como uma lâmina a perpassar meu corpo, totalmente a flor da pele. Mas sem dor, sem medo! Quero sempre te sentir... Tão belo, tão bom, tão ímpar! Para completar um par.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Era Ela!

Eu queria muito chegar na casa dela. Ela tinha falado tantas coisas, me atiçado tanto que esperava ansiosamente a hora de ver aquele corpo rosado, todo nú para mim, aquele rosto arredondado e macio me encarando, me instigando... Me desafiando!
Quando abri a porta (eu ainda tinha uma cópia da chave) a casa estava perfumada. Alguma essência nova, talvez maçã verde, ou melancia... Nunca fui boa para distinguir aromas. Mas era muito intensa, estava mexendo com todos os meus sentidos; veio à boca a vontade de me lambusar daquele cheiro, minha pele parecia tocada por cada nota daquele perfume. Eu via uma mistura de cores ao imaginar ela dizendo coisas safadas ao meu ouvido quando estivessemos na cama... ! E para completar meu deleite total, eu fui caminhando naquele apartamento enorme para encontrá-la, e de súbito ela abriu a porta do banheiro, tinha saído do banho naquela hora, estava enrolada em uma toalha super grossa e branca, maior que ela. O cabelo enrolava-se em outra toalha rosa pink, e ela me olhava como que me convidando a tirar aquilo tudo que estava em excesso entre nós.
Peitos, bocas e coxas... Tudo estava se misturando, como se fosse um corpo só. E naquele êxtase, me dei conta de tudo que sentia: o suor, a língua, a pele... Mas um estranhamento também...
Um jeito de pegar no meu cabelo que até então nunca tinha acontecido, o beijo, o toque... Algo estava diferente, e ao mesmo tempo que me enfeitiçava, me despertava ódio... Ela só podia ter ficado com alguém. Maldita! Tudo aquilo que eu amava nela, e só nela... Tudo que já estava acostumada nela, tinha se perdido.
Levantei rápido, me vesti, esbravejando o que há de pior. Ela chorava copiosamente, fingindo não entender nada! Sai batendo a porta... E como meu coração batia nessa hora! A avenida não tinha barulho algum para mim. Só meu coração batia... A rua havia morrido... Só eu vivia e sentia a dor de não ser a única na vida dela.
Não estava entendendo absolutamente nada que se passava comigo, tinha sentido que tinha feito uma grande besteira, afinal, agora ela queria ficar comigo. Mas aquele beijo... Parecia outra!
Sem perceber, dei meia volta em direção a casa dela. Queria gritar mais com ela, não tinha sido suficiente!
Quando abri a porta de novo, ela estava sentada no chão e ainda chorava... Meu grito se calou diante daquela figura linda, e só conseguia pensar em tê-la nos braços, corri para os braços dela, e senti o mesmo beijo ... Seja igual a antes ou não, era ela!





sexta-feira, 29 de abril de 2011

Decisão Eterna.

Estou andando pela rua, meus pés tocam o chão devagar, como que pisando em brumas. Me sinto em meio a um daqueles filmes que o caminhar é lento e enquanto isso os cabelos esvoaçam ao sabor do vento, o olhar é fixo e magnetizante... Me sinto essa figura aí agora...
Sinto que as entranhas da terra estão me envolvendo em vapores novos e coloridos. E eu piso firme, rasgando minhas bolhas de medo...
Uma conversa no facebook, uma indicação de um novo caminho que poderia seguir, endereço, site ... E passos rápidos, por baixo de um viaduto, por entre grafites, me levaram para aquele paraíso com cheirinho de mofo ontem... O TEATRO!
Estou mesmo apaixonada. Estive pensando essa semana como seria possível? Ser tão destrambelhada, tão bagunçadinha e tão amante de certa diciplina que nos faz ter um comprometimento com a seriedade do nosso próprio trabalho e a valorização do mesmo...
-Quero aprender, atuar, e desde pequena quis... Já trabalhei em várias outras coisas, mas nada supriu...
Foi isso que respondi quando questionada: Por que teatro?
E agora caminho a passos rápidos e firmes... Em direção a um futuro que talvez só eu nunca tivera a coragem de enxergar.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Por que???

Ela tinha aquela mania de ser rebelde... revolucionária... Isso acabava comigo! Eu sempre fui um cara muito sensível, sentimental mesmo... Não sei ser uma pessoa rude. Mas ela dizia o tempo todo que eu era machista.
Tentava entender o que a levava a pensar que eu era um machista. Eu, que sempre enfeitava a casa com flores para ela, pegava no trabalho, super disposto a tudo... Eu, Machista? Por não compreender seus caprichos? Por não querer sua ausencia? Sei lá...
Mesmo me sentindo um acabado, eu não dava o braço a torcer, fingia encarar na esportiva. Mas não estava tudo bem! Estava me sentindo um injustiçado!
Ela queria mesmo que eu entendesse seus dilemas, seus sentimentos confusos... Hora queria, hora não... A minha cabeça dava um nó! Nunca estava feliz com nada... Ela era facinada, alucinada pelo Chaplin. Eu dei um quadro que tinha o Chaplin e o menino pra ela. Ela com todo carinho dissimulado, disse: " Ai, eu ameeeii, ahhh, mas ainda quero o do discurso do grande ditador.... Eu sorri um riso amargo, um riso raivoso; " Por que é que essa desgraçada nunca está feliz com nada plenamente?"
Hoje olho para estas paredes e ainda tento entender na ausência do seu cheiro, o por quê ela foi embora assim, hora dizendo que me amava, hora dizendo que não.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sensações do amigo Maicon...

Meu amigo Maicon, em sua inspiração escreveu:

" Hoje sou mutante, amanhã serei mutante mudado, mas ontem nunca cheguei a ser. E assim, resumisse: hoje alguém, amanhã alguém mudado e ontem ninguém."

Valeu amigo!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A falta de inspiração.

Queria começar imponente, como os grandes escritores que constroem seus textos fluidamente, como se não precisassem pensar sobre nada, como se tivessem nascido gênios por natureza. Prontos... Tenho dentro da alma uma vontade fudida de deixar um ser estranho a mim, sair lá do fundo, e rasgando minha pele, se desvenciliar dessa carne trêmula, mas a vontade não se realiza, ela só grita por dentro do oco do meu ser, grita aos ares que preciso me achar. Me perdi de mim mesma.
Aconteceu hoje a tarde, eu acreditava que sabia bem o que queria e que era a pessoa mais perfeita do mundo , eu estava muito segura e queria muito aquele papel. Eu precisava daquele papel, era minha vida. Todos os meus projetos estavam naquele pedacinho de papel escrito: Electra. Tinham sido semanas de seleção, ensaios, testes e por aí vai...
O diretor tinha simpatizado comigo, poxa, era visível que era tudo perfeito, que o papel era meu e que aquela peça era um divisor de águas na minha vida. Teríamos a presença de críticos de arte, diretores de outras companhias, e seria nesse primeiro momento que seria decidido por eles se essa peça seria ou não futuramente um filme.
Meu pai não queria essa vida doida de artista para mim, já fazia mais de oito anos que eu era atriz, mas ele nunca aceitou isso. Nunca. Ele só não conseguia mais me impedir, como antigamente, mas gostar, sentir orgulho e contar para os amigos e tal? Não, isso não. Pelo contrário, chegava a ter até raiva. Afinal das contasl, eu sempre fui muito parecida com ele, e desde que me aventurei na arte de atuar, encantar e me realizar, abandonei também esse certo "parecer" que me era extremamente prejudicial. Não queria parecer alguém sem personalidade, sem vontade ... Sem vida!
Naquela tarde, eu esperava uma ligação naquele telefone fixo, como estava sem telefone em casa e o celular descarregado, ele ia ligar na casa do meu pai. Provavelmente para dizer: Olha, vem amanhã as 8h porque o personagem é seu e vamos fazer um ensaio inalgural extra. Não quero atrasos ouviu?
Já tinha dado 16h e nada do diretor me ligar... Já estava com fome, aproveitei para comprar pão. Quando voltei perguntei de novo: E aí? Alguém ligou? Meu pai foi categórico: Não.
Fiquei triste .... triste que ... nossa... indizível!
No dia seguinte fui para o ensaio, pensando que a personagem que eu tanto queria não me merecia na visão do diretor... Quando cheguei, o diretor parecia um leão faminto, raivoso muito mais que puto: putíssimo! E eu sem nem entender o que se passava... Até que em meio a gritos, fúria e ódio ele berrou: Como é que você é capaz de dizer para seu pai que não estava mais interessada na personagem, e que estava pensando seriamente em sair do grupo.
Punhais entraram na minha garganta, minhas cordas vocais se congelaram. Meu pai veio em minha mente, como a personificação do tinhoso, do demo, do cão!!! Tentei me explicar, mas ele não quis nem me ouvir. Disse somente que eu não precisava voltar, que eu podia muito bem ir para a puta que o pariu, que para ele isso não ia fazer a menor diferença.
Me senti um cachorro em terminal de onibus, não. Pior... Me senti um papel higiênico usado... Não... pior... me senti o chorume do lixo... Só pude ligar para o Jonas e pedir para ele me pegar em casa dali meia hora.
Quando cheguei em casa, meu pai veio me receber. Passei por ele como quem passa por um pilar daqueles que segura pátio de colégio.
Estou aqui pegando minhas últimas roupas, os CD´s... Não quero esquecer o da Cássia Eller; é ele que vai me ajudar a chorar hoje a noite na casa do Jonas. Ai como me doem essas paredes, esse cantinho era o único em que eu podia permanecer sendo eu, sem ninguém para tentar abafar meus gostos, pensamentos e sensações... Não sei o que vai ser, eu só sei que essa é a buzina do carro do Jonas, e é para a casa dele que vou levar minhas angustias e talves lá que elas serão curadas... Pelo menos por hoje.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Frase da Minha mãe hoje:

-Mãe, o Dº Marcelo é aquele que tem cabelo enroladinho? Tipo cabelo de anjo?
- Não, filha, o DrºMarcelo é aquele que tem cabelo compridinho, tipo poeta sabe?!
Esse foi meu momento poético de um dia sonado!