O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você. "Mário Quintana"
terça-feira, 29 de março de 2011
Saudades...
sábado, 26 de março de 2011
O pássaro bandido?
E um acontecimento me fez reforçar os pensamentos....Tudo começou com um piu... Eu ouvi um piadinho diferente, de algum passarinho bem exótico, dos que não estou acostumada a ouvir e estava muito perto também... Estranhei! Fui até a janela e vi que se tratavam de dois passarinhos bandidos (eles usavam máscaras, e juro eu não usei drogas), e um inclusive quando me viu saiu voando. O outro não. Ele me encarou, me mediu.... Ficou tentando me dizer algo que eu não entendi. E aquelas cores não podiam me lembrar outra coisas se não a máscara de um ladrão. Mas aquele passarinho lindo poderia ter cometido algum crime? Justo ele? Um ser leve, alegre e doce? O único crime que poderia ter cometido é de não ter os pudores que temos, então enquanto penso se devo deixar meu eu mais íntimo guiar minhas ações, ou até que ponto a sociedade robótica me influencia e de qualquer forma ficar remoendo, remexendo e revirando meus medos, o lindo pássaro bandido mergulhou no ar, abriu suas lindas asas, faz um voo rasante fodástico e com isso respondeu vários dos meus questionamentos!!!!!
quarta-feira, 23 de março de 2011
A cobrança interior
Ela está em um momento de profunda fragilidade. Em uma fase de muita carência. E eu, infelizmente me cobro até demais por querer fazer muito mais do que de fato posso! Hoje ainda não a vi, estou esperando-a com muito carinho. Até porque, essa mãe que muitas vezes me pegou no colo, me deu remédinho com açucar para minimizar o gosto amargo na minha boca, está sentindo o gosto do fel da vida. E a minha impotência é tamanha que não dá para adoçar de vez a etapa mais árdua até o presente momento de sua vida.
Seus medos, angústias e incertezas fazem seus pés e pernas doerem bastante, afinal, toda sua carência muitas vezes dá lugar ao nervosismo e ao inconformismo com a situação, tudo toma proporções gigantescas e se refletem em seu corpo. Todas essas coisas me arrebentam a alma.
O táxi para uma consulta, o banho refrescante o prazer de cozinhar, o xixizinho noturno... Tudo esta difícil. Meu pai e eu somos suas mãos ágeis. Óbviamente, ela está se sentindo metade de si mesma por não ter a autonomia para estas coisas triviais.
Fico tentando imaginar seu semblante diante do médico na consulta de hoje, conforme a minha conversa com meu pai que acompanha tudo ao lado dela: nenhuma grande novidade. Nem planos para biopcia, nem notícias da necessidade de fazer outras sessões de quimioterapia ou de radioterapia..... Só uma próxima consulta para quarta e a voz dela no telefone dizendo: "Tá bom filha depois a gente conversa tá"!
terça-feira, 22 de março de 2011
Eu já me conhecia, mas não tão bem assim...
Quantas vezes tive sonhos do cotidiano?! Daqueles que você sonha para aquele momento?! E quando falava destes sonhos, eles não eram se quer ouvidos, eram apenas escutados pelo Guilherme! E assim foram anos e anos de abdicação de mim mesma...
Eu sabia que toda aquela situação ia hora ou outra me fazer explodir, como uma panela de pressão que quando estoura, a tampa vai parar sabe-se lá onde... Sabia que isso poderia acontecer com minha cabeça, eu poderia perde-la a qualquer momento.
Foi na festa da Dany que a tampa da minha panela foi pelos ares! Um dia antes, eu só havia pedido uma coisa: Não vem atras de mim, me deixa ficar pelo menos um pouco com os meus amigos, você fica com os seus e eu não te encho o saco, então vamos tentar respeitar o espaço um do outro?!
Ele concordou a contra gosto, e me senti mais tranquila, mais gente, mais única no universo, pensei que ia voltar a me sintir um ser autonomo, me imaginei na festa; dançando muito, conversando, dando risadas bobas e tirando muitas fotos ... Mas não foi bem isso que aconteceu.Ele foi comigo. De ultima hora, ele apareceu. Com flores, perfumado, com aquele brilho lindo nos olhos. E fomos juntos! Já era muito acostumada a aceitar tudo não conseguir ter forças de impedi-lo, até porque ele jogou baixo, ele sabe que amo flores e soube fazer o olhar que amo. O caminho inteiro eu me remoia de raiva, de pavor, de angustia, sei lá... A Dany só tinha visto ele umas duas vezes, eu me achava no direito de manter essa distância entre os dois, queria cada um em uma esfera do meu mundo particular, para que eu pudesse continuar tendo meus amigos e ele os dele, e não como sempre foi: Os nossos amigos.
Ao chegar lá sabia que só havia uma solução: Aproveitar a festa da melhor forma possivel. Por mim, pela Dany e por já saber que a tendencia era tudo acabar mal . Entramos. O ambiente estava lindo, ela enfeitou a sala com flores, era uma sala enorme, estava tudo com cara de primavera. O Gui começou a beber... Eu odeio quando ele bebe! Ele se soltou tanto, mas tanto, que até dançou! Coisa que ele não faz nunca. Aquilo começou a me sufocar, ele estava sendo um peso para mim, eu queria ficar com meus amigos e isso ele definitivamente não entendia! Não aguentava mais ficar ali do lado dele, resolvi ir para varanda enquanto ele ficava abraçado aos drinks. A varanda era grande, queria uma casa assim também. Enquanto olhava para as estrelas, chorava! Mas como a merda tinha que acontecer para mudar minha historia, o Guto se aproximou de mim, me viu chorando e me deu um abraço. Aqueles abraços de colo, de proteção, do mais profundo carinho, sabia que não tinha tesão ali. Poderia até ter num outro contexto, mas ali, naquele momento sabiamos que não. Senti um grito. Era meu nome sendo grunhido aos quatro ventos, quase chegando àquelas estrelas, pela voz tropega do Gui. Ele jurava que ia acabar com o Guto, dizia que eu era a "mina" dele, que "nenhum outro macho tinha acesso não"!!! Aquilo entrou no meu ser como cacos de vidro, rasgando tudo por dentro. E quando menos percebi, fui tomada por aquele sentimento explosivo, eu tremia. Falei tanto que nem sei o que saiu da minha boca. A única coisa que lembro claramente; os convidados vindo para a varanda, suspendendo a respiração por nossa separação e uma aliança rolando pelo chão. Fui para a casa com o Guto, e não quis mais pensar sobre tudo que havia acontecido aquela noite!
domingo, 20 de março de 2011
A gente não é obrigado a saber!
As pessoas acham que a gente é obrigado a saber o que vai fazer na faculdade, porque é óbvio... você vai fazer uma faculdade quando completar 18 anos. E se você fizer com 20 anos, já vai ser velho.... Por ter raiva disso... Resolvi mandar isso tudo à merda!
Estou com 26 anos, fiz técnico em enfermagem aos 18 anos, porque achava que ia fazer Biomedicina na Facul, mas como eu não tinha dinheiro, fiz o técnico, que era o que dava pra fazer na área da saúde, e se gostasse podia até fazer enfermagem mesmo.
O que me afastou completamente de atuar após terminar o curso, foi ver o tratamento desumano que havia entre os colegas e para com os pacientes. A vida deles ficava em 3º plano: primeiro as burocracias, depois os interesses particulares e por último, e bem menos importantes, os pacientes. Não suportei aquilo. Hoje até tenho uma visão um pouquinho diferente, até porque os enfermeiros que cuidaram mês passado da minha mãe são magníficos, mas voltando aos meus 18 anos... pensei em fazer a danada da faculdade, mas queria fazer pública, e o que fazer? Bom, como meu namorado estava fazendo letras e eu nunca tinha visto alguém falar do que fazia com tanto brilho nos olhos, só podia ser isso que me aguardava: Letras. Fiz cursinho e tentei ... Óbvio que não deu né, até porque não tinha isso introjetado em mim, então levei o cursinho nas cochas, mesmo sendo eu quem pagava. Comecei a ter a necessidade inebriante de ter minhas coisas, nutri a expectativa de ter um carro, de ser uma mulher que veste social e anda pela Paulista com óculos e perfume importados. Comecei a querer ter um serviço assim, que me desse todo esse status fodástico... Não é que eu achei mesmo!? Nesse momento esqueci completamente que quando era pequena, eu sempre fazia questão de cantar mais alto no coral do colégio pra professora me escolher, esqueci também que gostava tanto de interpretar no teatro, que no ensino médio cheguei a montar uma peça que ganhou troféu em 1º lugar num pequeno festival de que participamos...
O que queria era ganhar dinheiro. A faculdade podia ficar para depois e as minhas tendências da infância também podiam... E lá fui eu assumir meu cargo de supervisora de cobrança numa empresa de Call Center, claro que pra chegar a esse cargo fiquei um ano com minha bundinha sentada naquela operação ouvindo xingamentos e assédios de várias espécies por telefone!
E claro, como eu queria ser mais promovida; resolvi fazer uma faculdade; estava na hora já... Tá... Mas o que eu ia fazer? Administração? Não... era demais pra minha cabeça também... Direito? Neeeem!!!!! Minha amiga estava fazendo Pedagogia.... estava aí minha resposta do que fazer... Pedagogia. Até por que todo mundo dizia: Ai Lúcia, você é tão meiguinha, deve levar o maior jeito com criança... Pois é. Não levo tanto jeito assim não, gosto muito, mas não levo jeito, não... Fui criada com muitos adultos pra levar tanto jeito assim! E quando o professor da faculdade dizia que na próxima aula ia ensinar a tirar os reloginhos (eram mordidas que os coleguinhas davam uns nos outros) dos braços das crianças, aí que eu percebia mesmo que não era aquilo que eu queria pra minha vida. Continuei minha caminhada rumo ao dinheiro, e não é que ele estava vindo ao meu encontro? Estava muito gostoso. Aí pensei, tá a empresa pode me ajudar a fazer uma faculdade na área de Call Center... Claro que vou fazer, mas a essa altura, todo meu stresse nessa área já tinha tomado proporções inimagináveis, foi vindo tudo à tona, desde a época na operação, ouvindo os xingamentos, passando ao início da supervisão, na qual fui considerada muito meiguinha, sem pulso e sem firmeza para a função. Mas continuei de equipe em equipe por mais uns quatro anos, mesmo sendo a dita “meiguinha”.
Pedi pra ser mandada embora e fui! Fui parar depois dentro de uma academia sendo consultora de vendas de aulas de Pilates. Muito gostoso, foi legal trabalhar lá.... Então, me deu uma puta vontade de fazer o que? Educação Física! Fui para o cursinho de novo, foco: Educação Física.... Pois é, não vinha de dentro... Também não deu certo, certo, então pode ser que estivesse no caminho errado. Quando eu tinha sete anos, queria ser veterinária, pois eu gosto de bichos, simples, tenho vários amigos que fazem Biologia e trabalham com tudo, bichos, células, etc... Vou fazer Biologia! A essa altura, já tinha pensado em fazer Engenharia ambiental e psicologia também.
Fui trabalhar com uma amiga minha, também num Estudio de Pilates, e prestei pra Biologia... E também não deu!
Comecei a me perceber, a ouvir o que as pessoas que me amam tinham a dizer sobre mim, e num belo dia em que eu já estava meio propensa a fazer então algo que era meu de verdade, ouvi: Vai fazer teatro.... É a única coisa que quando você fala, seu olhos brilham... Isso foi um divisor de águas pra mim. Fácil não vai ser, mas agora, que estou fazendo cursinho de novo, e que vou prestar para teatro aos 26 anos, estou tendo cada vez mais sinais, são diretores, atores, alunos de teatro, ex – alunos, projetos com teatro, tudo vai caindo na minha mão, como se o Universo tivesse dito: “ Menina, se toca e deixa de medo, vai fazer o que você gosta vai”.
sábado, 19 de março de 2011
As ideias estarão aqui.
Mas são sentimentos aprisionados, que perpassam entre a raiva e o amor, entre a indignação e a calmaria...
Hoje o dia está nebuloso, obscuro. Assim é meu ser, que entre o obscuro e o nebuloso, descobre flores que perfumam a podridão. Por agora não quero entrar nos detalhes... Mas inesperadamente acredito que terei umas ideias que sempre vão e vêm na minha cabeça nos horários mais inoportunos... E será este blog o destino dessas loucas ideias... Bem vindo!