Certos dias a gente fica assim.... Se cobrando por tudo... Se cobrando até por não ter a merda da paciência que todo mundo fala que devemos ter.
Ela está em um momento de profunda fragilidade. Em uma fase de muita carência. E eu, infelizmente me cobro até demais por querer fazer muito mais do que de fato posso! Hoje ainda não a vi, estou esperando-a com muito carinho. Até porque, essa mãe que muitas vezes me pegou no colo, me deu remédinho com açucar para minimizar o gosto amargo na minha boca, está sentindo o gosto do fel da vida. E a minha impotência é tamanha que não dá para adoçar de vez a etapa mais árdua até o presente momento de sua vida.
Seus medos, angústias e incertezas fazem seus pés e pernas doerem bastante, afinal, toda sua carência muitas vezes dá lugar ao nervosismo e ao inconformismo com a situação, tudo toma proporções gigantescas e se refletem em seu corpo. Todas essas coisas me arrebentam a alma.
O táxi para uma consulta, o banho refrescante o prazer de cozinhar, o xixizinho noturno... Tudo esta difícil. Meu pai e eu somos suas mãos ágeis. Óbviamente, ela está se sentindo metade de si mesma por não ter a autonomia para estas coisas triviais.
Fico tentando imaginar seu semblante diante do médico na consulta de hoje, conforme a minha conversa com meu pai que acompanha tudo ao lado dela: nenhuma grande novidade. Nem planos para biopcia, nem notícias da necessidade de fazer outras sessões de quimioterapia ou de radioterapia..... Só uma próxima consulta para quarta e a voz dela no telefone dizendo: "Tá bom filha depois a gente conversa tá"!
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