terça-feira, 22 de março de 2011

Eu já me conhecia, mas não tão bem assim...

Eu estava de saco cheio de tanto controle! De tanta pegação no pé! Queria me desamarrar de tudo aquilo que limitava; os movimentos de minhas asas, os gritos de minha alma, o meu ser de se manifestar como unidade no universo. Durante todo esse tempo, sinto que não vivi, é como se eu tivesse tirado férias de mim mesma.
Quantas vezes tive sonhos do cotidiano?! Daqueles que você sonha para aquele momento?! E quando falava destes sonhos, eles não eram se quer ouvidos, eram apenas escutados pelo Guilherme! E assim foram anos e anos de abdicação de mim mesma...
Eu sabia que toda aquela situação ia hora ou outra me fazer explodir, como uma panela de pressão que quando estoura, a tampa vai parar sabe-se lá onde... Sabia que isso poderia acontecer com minha cabeça, eu poderia perde-la a qualquer momento.
Foi na festa da Dany que a tampa da minha panela foi pelos ares! Um dia antes, eu só havia pedido uma coisa: Não vem atras de mim, me deixa ficar pelo menos um pouco com os meus amigos, você fica com os seus e eu não te encho o saco, então vamos tentar respeitar o espaço um do outro?!
Ele concordou a contra gosto, e me senti mais tranquila, mais gente, mais única no universo, pensei que ia voltar a me sintir um ser autonomo, me imaginei na festa; dançando muito, conversando, dando risadas bobas e tirando muitas fotos ... Mas não foi bem isso que aconteceu.Ele foi comigo. De ultima hora, ele apareceu. Com flores, perfumado, com aquele brilho lindo nos olhos. E fomos juntos! Já era muito acostumada a aceitar tudo não conseguir ter forças de impedi-lo, até porque ele jogou baixo, ele sabe que amo flores e soube fazer o olhar que amo. O caminho inteiro eu me remoia de raiva, de pavor, de angustia, sei lá... A Dany só tinha visto ele umas duas vezes, eu me achava no direito de manter essa distância entre os dois, queria cada um em uma esfera do meu mundo particular, para que eu pudesse continuar tendo meus amigos e ele os dele, e não como sempre foi: Os nossos amigos.
Ao chegar lá sabia que só havia uma solução: Aproveitar a festa da melhor forma possivel. Por mim, pela Dany e por já saber que a tendencia era tudo acabar mal . Entramos. O ambiente estava lindo, ela enfeitou a sala com flores, era uma sala enorme, estava tudo com cara de primavera. O Gui começou a beber... Eu odeio quando ele bebe! Ele se soltou tanto, mas tanto, que até dançou! Coisa que ele não faz nunca. Aquilo começou a me sufocar, ele estava sendo um peso para mim, eu queria ficar com meus amigos e isso ele definitivamente não entendia! Não aguentava mais ficar ali do lado dele, resolvi ir para varanda enquanto ele ficava abraçado aos drinks. A varanda era grande, queria uma casa assim também. Enquanto olhava para as estrelas, chorava! Mas como a merda tinha que acontecer para mudar minha historia, o Guto se aproximou de mim, me viu chorando e me deu um abraço. Aqueles abraços de colo, de proteção, do mais profundo carinho, sabia que não tinha tesão ali. Poderia até ter num outro contexto, mas ali, naquele momento sabiamos que não. Senti um grito. Era meu nome sendo grunhido aos quatro ventos, quase chegando àquelas estrelas, pela voz tropega do Gui. Ele jurava que ia acabar com o Guto, dizia que eu era a "mina" dele, que "nenhum outro macho tinha acesso não"!!! Aquilo entrou no meu ser como cacos de vidro, rasgando tudo por dentro. E quando menos percebi, fui tomada por aquele sentimento explosivo, eu tremia. Falei tanto que nem sei o que saiu da minha boca. A única coisa que lembro claramente; os convidados vindo para a varanda, suspendendo a respiração por nossa separação e uma aliança rolando pelo chão. Fui para a casa com o Guto, e não quis mais pensar sobre tudo que havia acontecido aquela noite!

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