sexta-feira, 29 de abril de 2011

Decisão Eterna.

Estou andando pela rua, meus pés tocam o chão devagar, como que pisando em brumas. Me sinto em meio a um daqueles filmes que o caminhar é lento e enquanto isso os cabelos esvoaçam ao sabor do vento, o olhar é fixo e magnetizante... Me sinto essa figura aí agora...
Sinto que as entranhas da terra estão me envolvendo em vapores novos e coloridos. E eu piso firme, rasgando minhas bolhas de medo...
Uma conversa no facebook, uma indicação de um novo caminho que poderia seguir, endereço, site ... E passos rápidos, por baixo de um viaduto, por entre grafites, me levaram para aquele paraíso com cheirinho de mofo ontem... O TEATRO!
Estou mesmo apaixonada. Estive pensando essa semana como seria possível? Ser tão destrambelhada, tão bagunçadinha e tão amante de certa diciplina que nos faz ter um comprometimento com a seriedade do nosso próprio trabalho e a valorização do mesmo...
-Quero aprender, atuar, e desde pequena quis... Já trabalhei em várias outras coisas, mas nada supriu...
Foi isso que respondi quando questionada: Por que teatro?
E agora caminho a passos rápidos e firmes... Em direção a um futuro que talvez só eu nunca tivera a coragem de enxergar.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Por que???

Ela tinha aquela mania de ser rebelde... revolucionária... Isso acabava comigo! Eu sempre fui um cara muito sensível, sentimental mesmo... Não sei ser uma pessoa rude. Mas ela dizia o tempo todo que eu era machista.
Tentava entender o que a levava a pensar que eu era um machista. Eu, que sempre enfeitava a casa com flores para ela, pegava no trabalho, super disposto a tudo... Eu, Machista? Por não compreender seus caprichos? Por não querer sua ausencia? Sei lá...
Mesmo me sentindo um acabado, eu não dava o braço a torcer, fingia encarar na esportiva. Mas não estava tudo bem! Estava me sentindo um injustiçado!
Ela queria mesmo que eu entendesse seus dilemas, seus sentimentos confusos... Hora queria, hora não... A minha cabeça dava um nó! Nunca estava feliz com nada... Ela era facinada, alucinada pelo Chaplin. Eu dei um quadro que tinha o Chaplin e o menino pra ela. Ela com todo carinho dissimulado, disse: " Ai, eu ameeeii, ahhh, mas ainda quero o do discurso do grande ditador.... Eu sorri um riso amargo, um riso raivoso; " Por que é que essa desgraçada nunca está feliz com nada plenamente?"
Hoje olho para estas paredes e ainda tento entender na ausência do seu cheiro, o por quê ela foi embora assim, hora dizendo que me amava, hora dizendo que não.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sensações do amigo Maicon...

Meu amigo Maicon, em sua inspiração escreveu:

" Hoje sou mutante, amanhã serei mutante mudado, mas ontem nunca cheguei a ser. E assim, resumisse: hoje alguém, amanhã alguém mudado e ontem ninguém."

Valeu amigo!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A falta de inspiração.

Queria começar imponente, como os grandes escritores que constroem seus textos fluidamente, como se não precisassem pensar sobre nada, como se tivessem nascido gênios por natureza. Prontos... Tenho dentro da alma uma vontade fudida de deixar um ser estranho a mim, sair lá do fundo, e rasgando minha pele, se desvenciliar dessa carne trêmula, mas a vontade não se realiza, ela só grita por dentro do oco do meu ser, grita aos ares que preciso me achar. Me perdi de mim mesma.
Aconteceu hoje a tarde, eu acreditava que sabia bem o que queria e que era a pessoa mais perfeita do mundo , eu estava muito segura e queria muito aquele papel. Eu precisava daquele papel, era minha vida. Todos os meus projetos estavam naquele pedacinho de papel escrito: Electra. Tinham sido semanas de seleção, ensaios, testes e por aí vai...
O diretor tinha simpatizado comigo, poxa, era visível que era tudo perfeito, que o papel era meu e que aquela peça era um divisor de águas na minha vida. Teríamos a presença de críticos de arte, diretores de outras companhias, e seria nesse primeiro momento que seria decidido por eles se essa peça seria ou não futuramente um filme.
Meu pai não queria essa vida doida de artista para mim, já fazia mais de oito anos que eu era atriz, mas ele nunca aceitou isso. Nunca. Ele só não conseguia mais me impedir, como antigamente, mas gostar, sentir orgulho e contar para os amigos e tal? Não, isso não. Pelo contrário, chegava a ter até raiva. Afinal das contasl, eu sempre fui muito parecida com ele, e desde que me aventurei na arte de atuar, encantar e me realizar, abandonei também esse certo "parecer" que me era extremamente prejudicial. Não queria parecer alguém sem personalidade, sem vontade ... Sem vida!
Naquela tarde, eu esperava uma ligação naquele telefone fixo, como estava sem telefone em casa e o celular descarregado, ele ia ligar na casa do meu pai. Provavelmente para dizer: Olha, vem amanhã as 8h porque o personagem é seu e vamos fazer um ensaio inalgural extra. Não quero atrasos ouviu?
Já tinha dado 16h e nada do diretor me ligar... Já estava com fome, aproveitei para comprar pão. Quando voltei perguntei de novo: E aí? Alguém ligou? Meu pai foi categórico: Não.
Fiquei triste .... triste que ... nossa... indizível!
No dia seguinte fui para o ensaio, pensando que a personagem que eu tanto queria não me merecia na visão do diretor... Quando cheguei, o diretor parecia um leão faminto, raivoso muito mais que puto: putíssimo! E eu sem nem entender o que se passava... Até que em meio a gritos, fúria e ódio ele berrou: Como é que você é capaz de dizer para seu pai que não estava mais interessada na personagem, e que estava pensando seriamente em sair do grupo.
Punhais entraram na minha garganta, minhas cordas vocais se congelaram. Meu pai veio em minha mente, como a personificação do tinhoso, do demo, do cão!!! Tentei me explicar, mas ele não quis nem me ouvir. Disse somente que eu não precisava voltar, que eu podia muito bem ir para a puta que o pariu, que para ele isso não ia fazer a menor diferença.
Me senti um cachorro em terminal de onibus, não. Pior... Me senti um papel higiênico usado... Não... pior... me senti o chorume do lixo... Só pude ligar para o Jonas e pedir para ele me pegar em casa dali meia hora.
Quando cheguei em casa, meu pai veio me receber. Passei por ele como quem passa por um pilar daqueles que segura pátio de colégio.
Estou aqui pegando minhas últimas roupas, os CD´s... Não quero esquecer o da Cássia Eller; é ele que vai me ajudar a chorar hoje a noite na casa do Jonas. Ai como me doem essas paredes, esse cantinho era o único em que eu podia permanecer sendo eu, sem ninguém para tentar abafar meus gostos, pensamentos e sensações... Não sei o que vai ser, eu só sei que essa é a buzina do carro do Jonas, e é para a casa dele que vou levar minhas angustias e talves lá que elas serão curadas... Pelo menos por hoje.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Frase da Minha mãe hoje:

-Mãe, o Dº Marcelo é aquele que tem cabelo enroladinho? Tipo cabelo de anjo?
- Não, filha, o DrºMarcelo é aquele que tem cabelo compridinho, tipo poeta sabe?!
Esse foi meu momento poético de um dia sonado!

terça-feira, 5 de abril de 2011

Despudorada?

Estava relembrando cada pedacinho do seu corpo por debaixo de toda aquela roupa, seus pelos, a textura de sua pele, o cheiro de sua carne quente e macia... E se estava sentindo isso com um misto de carinho e tesão, como poderia ser despudor de minha parte? Era um conflito muito grande... Por acaso o zelador, o jornaleiro, a copeira, o mendigo, a Dilma, enfim... qualquer ser humano também não é demasiadamente humano para sentir isso com a mesma intensidade?
Para falar a verdade não tive tempo de pensar muito sobre isso na hora, pensei nisso depois. Eu só consegui sentir a sede dele por mim. Eu não esperava que ele fosse aparecer, achei que aquele dia ele tinha coisas demais para fazer, até porque ele estava em véspera de apresentação, e os ensaios estavam frenéticos. Eu mal sabia, mas aquele dia, o diretor havia dispensado todo mundo do grupo, é que muitos não chegaram por conta do alagamento que teve no Anhangabaú e, intolerante como sempre, o diretor cancelou o ensaio.
Ele me trouxe doces, muitos!!! Comprou: jujubas, (ele sabe que amo) amêndoas confeitadas, torrone e doce de leite. Ele me derreteu com esse gesto simples... Queria senti-lo. Cada pedaço, cada respiração, enfim... Ele em mim, para mim, dentro de mim...
Não tinha como evitar o beijo, e nossos beijos sempre foram assim, molhados, tinha pego um pouco de jujuba na mão, perdi as forças, abri a mão e todas se espalharam pelo chão. Me sentia uma gelatina ao sol, minhas mãos buscavam seu rosto, seu peito, se enfiavam por dentro de sua calça, que não demorou muito a sumir desse cenário.
Estávamos nos arriscando, pois meu irmão estava dormindo no quarto, eram 16h, e ele podia acordar a qualquer momento... Mas aquele sofá... Não tinha como resistir. Naquele momento a sala era o palco do nosso tesão, nossas cenas eram íntimas, sempre sabíamos as deixas, sem maquear nossas vontades e não usávamos máscaras, estávamos ali, despidos de qualquer mal.
Os sorrisos eram bobos e quase invertemos as camisetas, se bem que ele não caberia na minha; havia uma sensação de plenitude, não me sentia despudorada, sabia que tínhamos corrido um risco, até porque, minha mãe chegou dali a dez minutos, quando já estávamos vestidos, e quando ela abriu a porta, vi que não estava trancada.
Me recuso a me recriminar. Estava amando, não destrui nenhum sonho infantil, não menosprezei ideias e pessoas, não recriminei iniciativas artísticas e nem censurei ideologias inspiradas em experiências de vida, acredito que isso seria uma das piores formas de despudoramento!!! Após essa minha viagem nas ideias, meu irmão acordou com a cara toda escangalhada.
Ficamos, então, nós quatro na cozinha comendo amêndoas confeitadas, conversando sobre o tempo, José Alencar, o criminoso maldito de Realengo, futebol, os desastres naturais e ouvindo Seu Jorge. E eu pensava: Despudorada eu? Nem ferrando!!!