domingo, 20 de março de 2011

A gente não é obrigado a saber!

As pessoas acham que a gente é obrigado a saber o que vai fazer na faculdade, porque é óbvio... você vai fazer uma faculdade quando completar 18 anos. E se você fizer com 20 anos, já vai ser velho.... Por ter raiva disso... Resolvi mandar isso tudo à merda!

Estou com 26 anos, fiz técnico em enfermagem aos 18 anos, porque achava que ia fazer Biomedicina na Facul, mas como eu não tinha dinheiro, fiz o técnico, que era o que dava pra fazer na área da saúde, e se gostasse podia até fazer enfermagem mesmo.

O que me afastou completamente de atuar após terminar o curso, foi ver o tratamento desumano que havia entre os colegas e para com os pacientes. A vida deles ficava em 3º plano: primeiro as burocracias, depois os interesses particulares e por último, e bem menos importantes, os pacientes. Não suportei aquilo. Hoje até tenho uma visão um pouquinho diferente, até porque os enfermeiros que cuidaram mês passado da minha mãe são magníficos, mas voltando aos meus 18 anos... pensei em fazer a danada da faculdade, mas queria fazer pública, e o que fazer? Bom, como meu namorado estava fazendo letras e eu nunca tinha visto alguém falar do que fazia com tanto brilho nos olhos, só podia ser isso que me aguardava: Letras. Fiz cursinho e tentei ... Óbvio que não deu né, até porque não tinha isso introjetado em mim, então levei o cursinho nas cochas, mesmo sendo eu quem pagava. Comecei a ter a necessidade inebriante de ter minhas coisas, nutri a expectativa de ter um carro, de ser uma mulher que veste social e anda pela Paulista com óculos e perfume importados. Comecei a querer ter um serviço assim, que me desse todo esse status fodástico... Não é que eu achei mesmo!? Nesse momento esqueci completamente que quando era pequena, eu sempre fazia questão de cantar mais alto no coral do colégio pra professora me escolher, esqueci também que gostava tanto de interpretar no teatro, que no ensino médio cheguei a montar uma peça que ganhou troféu em 1º lugar num pequeno festival de que participamos...

O que queria era ganhar dinheiro. A faculdade podia ficar para depois e as minhas tendências da infância também podiam... E lá fui eu assumir meu cargo de supervisora de cobrança numa empresa de Call Center, claro que pra chegar a esse cargo fiquei um ano com minha bundinha sentada naquela operação ouvindo xingamentos e assédios de várias espécies por telefone!

E claro, como eu queria ser mais promovida; resolvi fazer uma faculdade; estava na hora já... Tá... Mas o que eu ia fazer? Administração? Não... era demais pra minha cabeça também... Direito? Neeeem!!!!! Minha amiga estava fazendo Pedagogia.... estava aí minha resposta do que fazer... Pedagogia. Até por que todo mundo dizia: Ai Lúcia, você é tão meiguinha, deve levar o maior jeito com criança... Pois é. Não levo tanto jeito assim não, gosto muito, mas não levo jeito, não... Fui criada com muitos adultos pra levar tanto jeito assim! E quando o professor da faculdade dizia que na próxima aula ia ensinar a tirar os reloginhos (eram mordidas que os coleguinhas davam uns nos outros) dos braços das crianças, aí que eu percebia mesmo que não era aquilo que eu queria pra minha vida. Continuei minha caminhada rumo ao dinheiro, e não é que ele estava vindo ao meu encontro? Estava muito gostoso. Aí pensei, tá a empresa pode me ajudar a fazer uma faculdade na área de Call Center... Claro que vou fazer, mas a essa altura, todo meu stresse nessa área já tinha tomado proporções inimagináveis, foi vindo tudo à tona, desde a época na operação, ouvindo os xingamentos, passando ao início da supervisão, na qual fui considerada muito meiguinha, sem pulso e sem firmeza para a função. Mas continuei de equipe em equipe por mais uns quatro anos, mesmo sendo a dita “meiguinha”.

Pedi pra ser mandada embora e fui! Fui parar depois dentro de uma academia sendo consultora de vendas de aulas de Pilates. Muito gostoso, foi legal trabalhar lá.... Então, me deu uma puta vontade de fazer o que? Educação Física! Fui para o cursinho de novo, foco: Educação Física.... Pois é, não vinha de dentro... Também não deu certo, certo, então pode ser que estivesse no caminho errado. Quando eu tinha sete anos, queria ser veterinária, pois eu gosto de bichos, simples, tenho vários amigos que fazem Biologia e trabalham com tudo, bichos, células, etc... Vou fazer Biologia! A essa altura, já tinha pensado em fazer Engenharia ambiental e psicologia também.

Fui trabalhar com uma amiga minha, também num Estudio de Pilates, e prestei pra Biologia... E também não deu!

Comecei a me perceber, a ouvir o que as pessoas que me amam tinham a dizer sobre mim, e num belo dia em que eu já estava meio propensa a fazer então algo que era meu de verdade, ouvi: Vai fazer teatro.... É a única coisa que quando você fala, seu olhos brilham... Isso foi um divisor de águas pra mim. Fácil não vai ser, mas agora, que estou fazendo cursinho de novo, e que vou prestar para teatro aos 26 anos, estou tendo cada vez mais sinais, são diretores, atores, alunos de teatro, ex – alunos, projetos com teatro, tudo vai caindo na minha mão, como se o Universo tivesse dito: “ Menina, se toca e deixa de medo, vai fazer o que você gosta vai”.

2 comentários:

  1. :D Fico mto feliz toda vez q ouço vc falar assim, pq independente de tudo quero te ver FELIZ!

    Bjo

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  2. Você é o orgulho da minha alma, sabia!

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